Um dos hits do momento no quesito memes (alerta: posso estar exagerando e correndo um grande risco de falar uma ‘boludez)’, é a tal da camiseta do time do Brasil. Uma das leituras que pode ser feita, de uma das várias versões de memes publicados sobre isso aqui no Facebook, é que a venda dessas camisetas, se comparada a outras épocas de copa do mundo como essa na qual vivemos, diminuiu por que a maioria do povo brasileiro não quer mais vesti-las. Ou seja, existe um grupo de pessoas que não compram e não querem usá-las, pois compreende que trariam à tona um dos maiores símbolos das manifestações, contra a corrupção (há controvérsias), precedentes ao impeachment da presidenta Dilma. Isso, do meu ponto de vista (alerto que ainda posso estar equivocada), é a Análise do Discurso acontecendo. É meu eu conseguindo articular uma relação histórica entre os discursos produzidos e a configuração social. Justo hoje, no dia do profissional de Letras, eu me deparo fazendo esse tipo de reflexão, retomando alguns conceitos vistos nas aulas, conectando com algumas conversas entre amigos, até que a ficha cai. Quantas vezes eu paro pra pensar sobre o caminho profissional que escolhi para mim. Hoje, sempre que me pego interpretando o mundo ao meu redor e percebendo a luzinha que há por trás de cada palavra, letrinha, poesia, livros, histórias... Concluo: o caminho sempre esteve ali, bastou eu caminhar.
Experiencias embaixo e acima do mundo dos sonhos
Diário de bordo de uma quase mulher decidida a escrever alguns pontos chave de seus sonhos e pensamentos visionados e experienciados em um dia-a-dia muito normal, apenas com a humilde intenção de se esvaziar de palavras.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
domingo, 13 de maio de 2018
Ser mãe e o ser mãe
Já não consigo me imaginar um dia sendo mãe. Talvez de adoção, sim, mas parir não sei se é o meu forte. Não digo isso porque não gostaria de passar por essa experiência, quiçá esse sentimento seja fruto de uma revolta por viver em uma sociedade que simplesmente obriga todas as mulheres a sentirem que a missão da sua vida é ser mãe, e se não o fazem são julgadas de alguma maneira. Fico pensando nessas muitas mulheres que, por algum motivo patológico não podem ser mães. Acaso elas deverão se sentir inúteis ou sem razão para existir? Isso me remete à ideia de que mulher só se sente completa se vive para outro ser, se tem alguém a quem se dedicar, pois não pode trilhar nenhum caminho para si mesma. Posso estar exagerando, posso não estar. Como diz uma escritora de quem gosto muito: não sou infalível. Minha visão de mundo pode também estar equivocada, sob algum ponto de vista... Quem sabe? Quem saberá? O fato é que nem por isso, nem com todo esse pensamento confuso sobre ser mãe ou não, eu deixo de admirar o ser mãe. Me admira muito a conexão mão-filho, perco horas assistindo e me emocionando com vídeos e relatos de partos, amo conversar com mulheres que são mães e perceber seu sentimento em relação à vida e ao mundo, enfim, maternidade é algo que me atrai de alguma forma. Me emociono ao pensar sobre a minha mãe, sobre as mulheres que exerceram a maternidade comigo de alguma forma: minhas avós, tias, vizinhas. Hoje tentei escrever algo para minha mãe, mas, infelizmente, eu que amo escrever e não fujo a nenhuma oportunidade de demonstrar afeto através de palavras para as pessoas ao meu redor, fiquei sem saber o que dizer. O que consegui fazer foi copiar a ela um texto que talvez se aproximava mais do que eu queria lhe falar. Eu, que sou cheia de palavras, me senti vazia delas.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Novamente a chuva
O peso de gata gota cai na janela como se tentasse furá-la. Assim, faço uma analogia da gota de chuva com as lágrimas que me caem ao colo. Tão óbvio. Me explico: água por água, dá igual. Infelizmente escrever sobre a tristeza é algo que não domino. De alguma maneira, acabo caindo sempre na mesmice de associar a tristeza ao amor e o amor à paixão. Como se toda a felicidade da nossa vida dependesse de termos alguém com quem compartilhar os nossos momentos felizes. Acabo divagando nos mesmos clichês e o buraco da solidão permanece. O que para muitos escritores pode ser uma válvula de escape, para mim pode ser a beira do abismo. É como se a escrita me permitisse penetrar mais a fundo em um universo que eu nego a mim mesmo. O escrever acaba tornando-se um não-escrever como se eu estivesse me protegendo dos meus próprios fantasmas. Sou dessas. Acabo supervalorizando momentos de discórdia como se fossem o fim, o limite, o ápice dos piores momentos da minha dor, mas depois que me acalmo percebo que exagerei. E a vida continua nesse maldito ciclo infinito. Eu poderia garimpar essa causa em entranhas psicológicas, mas já o fiz tantas vezes que já não sei por onde começar. Parece que volto sempre à mesma linha de partida. O resultado é sempre igual. Um resultado que eu nego a 'hacerme cargo'. Contudo, as gotas existem, entretanto, as janelas são suficientemente fortes para contê-las.
O ramalhete de jasmins
A área e interpretação dos sonhos ainda é algo que irei estudar mais a fundo, se não nessa vida em alguma próxima. É muito interessante como emitimos sinais a nós mesmos, através do subconsciente, e como poderíamos decifrá-los se nos conhecêssemos de fato. Enquanto isso não acontece, fico especulando o que aquelas pessoas que me apareceram enquanto eu dormia queriam dizer, ou ainda, o que aquele cheiro que eu senti queria me transmitir. Essa noite, sonhei que me mudava de casa, junto ao meu companheiro, e essa casa formava parte de um conjunto de casas projetadas exatamente iguais, com a mesma arquitetura, cor, textura e forma. Entre as paredes e o teto havia um vão, e preenchê-lo, ou não, ficaria ao nosso critério. Uma tarde, enquanto estava sozinha em casa, esperando algumas pessoas (tive a impressão de estar esperando muita gente voltar de algum lugar, talvez seu trabalho), organizava algumas flores e parecia estar brincando com elas, em frente ao portão da casa que dava acesso diretamente à rua. Nesse momento, um homem que estava em um carro, desses que emitem uma música sem sentido muito alta, usando um boné e óculos escuros, desce em minha direção e me entrega um ramalhete de jasmins. Por algum motivo eu sabia que tipo de flores eram, mas não pelo aspecto, que eram de galhos secos, mas sim pelo cheiro. Sem dizer uma palavra, me convidou para sair, e eu ferozmente neguei, guiada pela fidelidade ao meu coração. Acredito que isso tenha feito com que o homem se ofendesse e, num instante, passou a ser meu perseguidor no sonho. Todos ao meu redor me protegiam. As pessoas voltaram a casa e disseram para eu ficar tranquila, porque naquela região era comum os homens acharem que as casas não tinham donos e tentar apossar-se delas. Nesse momento o sonho passou a ser muito confuso. Eu já não sabia quando estava a salva do tal perseguidor ou não, o que tinha que fazer para me livrar dele, mas todos ouvíamos quando ele passava pela rua com o carro, e uma música extremamente perturbadora, como se me convidasse a sair da casa, de todos os jeitos. Quando acordava, me dava conta que era um sonho, mas o medo tomava conta de mim da mesma forma, e quando caía no sono, novamente o pesadelo voltava. Até o amanhecer. Imediatamente ao acordar busquei meu celular a fim de investigar o significado dessa manifestação. Primeiro, procurei por 'sonhar com perseguição'. As primeiras respostas que obtive foram: se você está sendo perseguido, o que foi o caso, significa que você não deve se reprimir, pois assim não há chance de ser feliz. Perguntei ao mestre google sobre as flores de jasmins. Qual não foi minha surpresa quando me dei conta que esta flor se vincula diretamente ao amor, embora quando elas são colhidas, o bom agouro diz respeito ao trabalho. Pois bem, agora preciso conectar um fato a outro e conhecer-me a mim mesma para interpretar este sonho.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Preparar-se
Quando alguém que é muito próximo de nós passa por dificuldades, nas quais corre risco de vida, muitos pensamentos passam por nossa cabeça. Inevitáveis são os pensamentos relacionados à morte: "o que será de mim quando essa pessoa não estiver mais aqui?". As condições emocionais também nos levam a uma viagem ao passado, lembramos de momentos com essa pessoa e finalmente tomamos a percepção do quanto ela pode ter sido fundamental no nosso desenvolvimento como indivíduo, como ser no mundo. Nossa cultura não nos prepara para a morte e,além disso, cria um tabu em torno da temática. Portanto, não sabemos como lidar quando esse momento chega e bate a nossa porta. Esse sentimento requer um movimento de desapego que talvez não nos tenham ensinado a fazer. Também nos ensinaram que devemos evitar todo o tipo de sofrimento: reprimi-lo. Num falso intento de nos mostrarmos mais forte diante da sociedade. Inicialmente, a palavra-chave é: aceitação. Aceitação à dor, às más situações, à evolução. A consciência de que a vida aqui na terra é uma passagem, uma aprendizagem. Não está proibido ficar triste, nem chorar e nem negar nos primeiros momentos. Mas em algum momento, a clareza virá em seu consciente: deve-se saber que velhos ciclos se instiguem para renascerem novos. Às vezes o que acontece é que não estamos preparados para o rompimento de velhos ciclos: apegos. Outras vezes, não sabemos começar os novos: ansiedade. Palavras-chaves: meditação, conexão. Acredito que debates sobre o tema se tornam pertinentes, cada vez mais necessários, e só se percebe isso, quando se passa por isso. Falar sobre a morte, uma dor necessária.
domingo, 20 de setembro de 2015
Yoga, meditação e chuva
Certa vez li em um lugar que o caminho mais fácil para a paz (leia-se: desapego dos medos, insegurança, prazer passageiro e egoísmo) era a devoção a algo superior, que muitos chamam de Deus, para outros é um lugar silencioso, para outros é escutar uma canção... Algo que seja muito maior que você, que a plenitude e completude do amor é incompreensível, imensurável. Bem, com isso, a mim posso perceber que esse habitat, esse Deus, está presente em uma manhã de domingo chuvosa, silenciosa, acompanhada de algumas posturas de yoga (intuitivas) e um tempo de meditação, de aproximação consigo. Nosso ego muita vezes no causa sofrimentos que são criados apenas dentro de nossa cabeça, o fortalecimento de nosso coração e mente, permite enxergarmos que toda a alegria e felicidade que buscamos muitas vezes fora do nosso corpo, está dentro de nós. Está permitido sofrer, chorar, aprender, passar um tempo consigo e voltar mais forte pra seguir a evolução. Somos humanos, somos passageiros nessa vida, e todo o sofrimento sempre fará parte do nosso ser. Nosso coração aceita isso, mas nosso ego quer que sejamos perfeitos e que não cometemos o erro de nos colocar diante de obstáculos. Enfrentemos isso, com a doçura de um dia chuvoso, com a tranquilidade de um lugar sereno e com a alegria e sinceridade de criança!
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
If I could change the world
A tentativa de manter uma linearidade nas nossas noções nem sempre vinga, mas fazemos o possível para que sejamos, ao menos, o mínimo coerentes. Quando mudamos os nossos hábitos, é porque sentimos que essas mudanças são necessárias na nossa vida. Isso envolve nossas crenças, nossas percepções do mundo e tudo que vamos construindo frente a nossa história. Não é dizer que não sofremos nenhuma influência externa, mas a relação vai além de dialética: não é somente o diálogo entre ser e sociedade e sociedade e ser, há um "terceiro elemento": nossa voz interior. Chame-a de alma, de espírito, consciência, intuição... O que seja. A questão é que todas as mudanças são resultados de múltiplos fatores e chegar a uma "raíz" exata é quase que impossível. Portanto, quando as pessoas me perguntam: "Por que você é vegetariana? Quando deixou de comer carne? Não sente falta de carne?" É difícil indicar um ponto exato, ou apenas algo que me impulsinou, foram muitos fatores, somados a muitas leituras, vários insights e incalculáveis estopins. Mas por razões minhas, me alimento da forma que julgo ser adequado às minhas óticas sobre a vida e não quero que absolutamente ninguém mude só por que eu acho que isso é melhor para o mundo. Logicamente posso apoiar a causa, incentivar, mostrar as opções, o que mudaria mas enfim, não posso simplesmente dizer às pessoas que isso é melhor e ponto final e que se, mesmo com todos os meus motivos, elas continuarem a comer, tenho que saber que faz parte de uma opção de vida e cada um possui suas limitações (não é exatamente essa a palavra mais adequada, mas estou limitada aos recursos lexicais de um domingo). Onde eu quero chegar é que... já venho há alguns anos percebendo o quanto as pessoas que convivem comigo, e que comem carne, muitas vezes se sentem incomodadas com o simples fato de eu não comer. Eu não faço nem cara feia, mesmo morrendo por dentro com o cheiro de um animal sendo assado, mas mesmo assim, sou o tempo todo "atacada" por que escolhi não comer carne. É como se eu estivesse sendo, inclusive, uma pessoa má, incoerente, etc, etc, etc. Eu não quero mudar o mundo de todos, não invadirei sua casa e retirarei tudo o que tem carne, vocênão vai ficar sem seu amado bacon e nem sei seu fabuloso churrasco de domingo. Eu só vi uma oportunidade de mudar o meu mundo pra melhor, e não deixei escapar.
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21 de maio
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