O peso de gata gota cai na janela como se tentasse furá-la. Assim, faço uma analogia da gota de chuva com as lágrimas que me caem ao colo. Tão óbvio. Me explico: água por água, dá igual. Infelizmente escrever sobre a tristeza é algo que não domino. De alguma maneira, acabo caindo sempre na mesmice de associar a tristeza ao amor e o amor à paixão. Como se toda a felicidade da nossa vida dependesse de termos alguém com quem compartilhar os nossos momentos felizes. Acabo divagando nos mesmos clichês e o buraco da solidão permanece. O que para muitos escritores pode ser uma válvula de escape, para mim pode ser a beira do abismo. É como se a escrita me permitisse penetrar mais a fundo em um universo que eu nego a mim mesmo. O escrever acaba tornando-se um não-escrever como se eu estivesse me protegendo dos meus próprios fantasmas. Sou dessas. Acabo supervalorizando momentos de discórdia como se fossem o fim, o limite, o ápice dos piores momentos da minha dor, mas depois que me acalmo percebo que exagerei. E a vida continua nesse maldito ciclo infinito. Eu poderia garimpar essa causa em entranhas psicológicas, mas já o fiz tantas vezes que já não sei por onde começar. Parece que volto sempre à mesma linha de partida. O resultado é sempre igual. Um resultado que eu nego a 'hacerme cargo'. Contudo, as gotas existem, entretanto, as janelas são suficientemente fortes para contê-las.
Diário de bordo de uma quase mulher decidida a escrever alguns pontos chave de seus sonhos e pensamentos visionados e experienciados em um dia-a-dia muito normal, apenas com a humilde intenção de se esvaziar de palavras.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
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