domingo, 13 de maio de 2018

Ser mãe e o ser mãe

Já não consigo me imaginar um dia sendo mãe. Talvez de adoção, sim, mas parir não sei se é o meu forte. Não digo isso porque não gostaria de passar por essa experiência, quiçá esse sentimento seja fruto de uma revolta por viver em uma sociedade que simplesmente obriga todas as mulheres a sentirem que a missão da sua vida é ser mãe, e se não o fazem são julgadas de alguma maneira. Fico pensando nessas muitas mulheres que, por algum motivo patológico não podem ser mães. Acaso elas deverão se sentir inúteis ou sem razão para existir? Isso me remete à ideia de que mulher só se sente completa se vive para outro ser, se tem alguém a quem se dedicar, pois não pode trilhar nenhum caminho para si mesma. Posso estar exagerando, posso não estar. Como diz uma escritora de quem gosto muito: não sou infalível. Minha visão de mundo pode também estar equivocada, sob algum ponto de vista... Quem sabe? Quem saberá? O fato é que nem por isso, nem com todo esse pensamento confuso sobre ser mãe ou não, eu deixo de admirar o ser mãe. Me admira muito a conexão mão-filho, perco horas assistindo e me emocionando com vídeos e relatos de partos, amo conversar com mulheres que são mães e perceber seu sentimento em relação à vida e ao mundo, enfim, maternidade é algo que me atrai de alguma forma. Me emociono ao pensar sobre a minha mãe, sobre as mulheres que exerceram a maternidade comigo de alguma forma: minhas avós, tias, vizinhas. Hoje tentei escrever algo para minha mãe, mas, infelizmente, eu que amo escrever e não fujo a nenhuma oportunidade de demonstrar afeto através de palavras para as pessoas ao meu redor, fiquei sem saber o que dizer. O que consegui fazer foi copiar a ela um texto que talvez se aproximava mais do que eu queria lhe falar. Eu, que sou cheia de palavras, me senti vazia delas.

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