segunda-feira, 21 de maio de 2018

21 de maio


Um dos hits do momento no quesito memes (alerta: posso estar exagerando e correndo um grande risco de falar uma ‘boludez)’, é a tal da camiseta do time do Brasil. Uma das leituras que pode ser feita, de uma das várias versões de memes publicados sobre isso aqui no Facebook, é que a venda dessas camisetas, se comparada a outras épocas de copa do mundo como essa na qual vivemos, diminuiu por que a maioria do povo brasileiro não quer mais vesti-las. Ou seja, existe um grupo de pessoas que não compram e não querem usá-las, pois compreende que trariam à tona um dos maiores símbolos das manifestações, contra a corrupção (há controvérsias), precedentes ao impeachment da presidenta Dilma. Isso, do meu ponto de vista (alerto que ainda posso estar equivocada), é a Análise do Discurso acontecendo. É meu eu conseguindo articular uma relação histórica entre os discursos produzidos e a configuração social. Justo hoje, no dia do profissional de Letras, eu me deparo fazendo esse tipo de reflexão, retomando alguns conceitos vistos nas aulas, conectando com algumas conversas entre amigos, até que a ficha cai. Quantas vezes eu paro pra pensar sobre o caminho profissional que escolhi para mim. Hoje, sempre que me pego interpretando o mundo ao meu redor e percebendo a luzinha que há por trás de cada palavra, letrinha, poesia, livros, histórias... Concluo: o caminho sempre esteve ali, bastou eu caminhar.

domingo, 13 de maio de 2018

Ser mãe e o ser mãe

Já não consigo me imaginar um dia sendo mãe. Talvez de adoção, sim, mas parir não sei se é o meu forte. Não digo isso porque não gostaria de passar por essa experiência, quiçá esse sentimento seja fruto de uma revolta por viver em uma sociedade que simplesmente obriga todas as mulheres a sentirem que a missão da sua vida é ser mãe, e se não o fazem são julgadas de alguma maneira. Fico pensando nessas muitas mulheres que, por algum motivo patológico não podem ser mães. Acaso elas deverão se sentir inúteis ou sem razão para existir? Isso me remete à ideia de que mulher só se sente completa se vive para outro ser, se tem alguém a quem se dedicar, pois não pode trilhar nenhum caminho para si mesma. Posso estar exagerando, posso não estar. Como diz uma escritora de quem gosto muito: não sou infalível. Minha visão de mundo pode também estar equivocada, sob algum ponto de vista... Quem sabe? Quem saberá? O fato é que nem por isso, nem com todo esse pensamento confuso sobre ser mãe ou não, eu deixo de admirar o ser mãe. Me admira muito a conexão mão-filho, perco horas assistindo e me emocionando com vídeos e relatos de partos, amo conversar com mulheres que são mães e perceber seu sentimento em relação à vida e ao mundo, enfim, maternidade é algo que me atrai de alguma forma. Me emociono ao pensar sobre a minha mãe, sobre as mulheres que exerceram a maternidade comigo de alguma forma: minhas avós, tias, vizinhas. Hoje tentei escrever algo para minha mãe, mas, infelizmente, eu que amo escrever e não fujo a nenhuma oportunidade de demonstrar afeto através de palavras para as pessoas ao meu redor, fiquei sem saber o que dizer. O que consegui fazer foi copiar a ela um texto que talvez se aproximava mais do que eu queria lhe falar. Eu, que sou cheia de palavras, me senti vazia delas.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Novamente a chuva

O peso de gata gota cai na janela como se tentasse furá-la. Assim, faço uma analogia da gota de chuva com as lágrimas que me caem ao colo. Tão óbvio. Me explico: água por água, dá igual. Infelizmente escrever sobre a tristeza é algo que não domino. De alguma maneira, acabo caindo sempre na mesmice de associar a tristeza ao amor e o amor à paixão. Como se toda a felicidade da nossa vida dependesse de termos alguém com quem compartilhar os nossos momentos felizes. Acabo divagando nos mesmos clichês e o buraco da solidão permanece. O que para muitos escritores pode ser uma válvula de escape, para mim pode ser a beira do abismo. É como se a escrita me permitisse penetrar mais a fundo em um universo que eu nego a mim mesmo. O escrever acaba tornando-se um não-escrever como se eu estivesse me protegendo dos meus próprios fantasmas. Sou dessas. Acabo supervalorizando momentos de discórdia como se fossem o fim, o limite, o ápice dos piores momentos da minha dor, mas depois que me acalmo percebo que exagerei. E a vida continua nesse maldito ciclo infinito. Eu poderia garimpar essa causa em entranhas psicológicas, mas já o fiz tantas vezes que já não sei por onde começar. Parece que volto sempre à mesma linha de partida. O resultado é sempre igual. Um resultado que eu nego a 'hacerme cargo'. Contudo, as gotas existem, entretanto, as janelas são suficientemente fortes para contê-las. 

O ramalhete de jasmins

A área e interpretação dos sonhos ainda é algo que irei estudar mais a fundo, se não nessa vida em alguma próxima. É muito interessante como emitimos sinais a nós mesmos, através do subconsciente, e como poderíamos decifrá-los se nos conhecêssemos de fato. Enquanto isso não acontece, fico especulando o que aquelas pessoas que me apareceram enquanto eu dormia queriam dizer, ou ainda, o que aquele cheiro que eu senti queria me transmitir. Essa noite, sonhei que me mudava de casa, junto ao meu companheiro, e essa casa formava parte de um conjunto de casas projetadas exatamente iguais, com a mesma arquitetura, cor, textura e forma. Entre as paredes e o teto havia um vão, e preenchê-lo, ou não, ficaria ao nosso critério. Uma tarde, enquanto estava sozinha em casa, esperando algumas pessoas (tive a impressão de estar esperando muita gente voltar de algum lugar, talvez seu trabalho), organizava algumas flores e parecia estar brincando com elas, em frente ao portão da casa que dava acesso diretamente à rua. Nesse momento, um homem que estava em um carro, desses que emitem uma música sem sentido muito alta, usando um boné e óculos escuros, desce em minha direção e me entrega um ramalhete de jasmins. Por algum motivo eu sabia que tipo de flores eram, mas não pelo aspecto, que eram de galhos secos, mas sim pelo cheiro. Sem dizer uma palavra, me convidou para sair, e eu ferozmente neguei, guiada pela fidelidade ao meu coração. Acredito que isso tenha feito com que o homem se ofendesse e, num instante, passou a ser meu perseguidor no sonho. Todos ao meu redor me protegiam. As pessoas voltaram a casa e disseram para eu ficar tranquila, porque naquela região era comum os homens acharem que as casas não tinham donos e tentar apossar-se delas. Nesse momento o sonho passou a ser muito confuso. Eu já não sabia quando estava a salva do tal perseguidor ou não, o que tinha que fazer para me livrar dele, mas todos ouvíamos quando ele passava pela rua com o carro, e uma música extremamente perturbadora, como se me convidasse a sair da casa, de todos os jeitos. Quando acordava, me dava conta que era um sonho, mas o medo tomava conta de mim da mesma forma, e quando caía no sono, novamente o pesadelo voltava. Até o amanhecer. Imediatamente ao acordar busquei meu celular a fim de investigar o significado dessa manifestação. Primeiro, procurei por 'sonhar com perseguição'. As primeiras respostas que obtive foram: se você está sendo perseguido, o que foi o caso, significa que você não deve se reprimir, pois assim não há chance de ser feliz. Perguntei ao mestre google sobre as flores de jasmins. Qual não foi minha surpresa quando me dei conta que esta flor se vincula diretamente ao amor, embora quando elas são colhidas, o bom agouro diz respeito ao trabalho. Pois bem, agora preciso conectar um fato a outro e conhecer-me a mim mesma para interpretar este sonho.

21 de maio

Um dos hits do momento no quesito memes (alerta: posso estar exagerando e correndo um grande risco de falar uma ‘boludez)’, é a tal da cam...